A emoção que eu guardava e o que ela me ensinou
Como artista, passei muitos anos com um desejo que quase nunca admiti: ser bem quisto por todos. Eu fazia tudo para agradar, e mesmo assim, quando alguém não gostava de mim ou da minha música, naquela hora o que eu sentia não era medo, era raiva! Eu me perguntava como uma pessoa podia não gostar de mim ou do meu trabalho.
Essa raiva tinha um jeito de agir, eu falava besteiras sobre a pessoa, queria expô-la, tinha atitudes que hoje vejo como infantis. Depois de uma aula de perguntas e respostas do professor Jonas Masetti, na turma Samba Shiva, passei a olhar esse traço de outro jeito. Ele não é apenas um jeito de ser, pode ser um problema não resolvido que aprendi a chamar de personalidade.
O que mais me tocou nessa aula foi perceber o que acontece com a emoção que a gente reprime. Na hora de responder a uma questão sobre isso, escolhi a alternativa errada: achei que a emoção guardada fica ali, esperando. Foi só olhando para a minha própria emoção que entendi. Ela não fica quieta. Aparece em momentos sem muita explicação, e muitas vezes já ofendi pessoas e descarreguei aquilo que estava guardado por motivos insignificantes. A experiência me mostrou o que eu não tinha enxergado na teoria.
Por trás de tudo isso há uma coisa mais funda, que o estudo no Vedanta me deu. Eu não entendia que o Atma, o eu essencial, é tudo. Eu acreditava que as pessoas eram separadas. Quando isso começa a mudar, muda também a relação com a espiritualidade, e acaba aproximando. É difícil continuar odiando quem não gosta da minha música ou de mim quando já não tenho tanta certeza de que essa pessoa é alguém tão separado de mim.
Outro ensinamento da aula me ajuda a trabalhar isso: a força e a sensibilidade precisam andar juntas. Sem acolhimento, o ego procura outro jeito de se agradar. Sem firmeza, o controle vira agressividade quando algo foge do domínio. Preciso das duas, e sem trocar uma pela outra.
Estudar de forma mecânica, para mim, é apenas ouvir as aulas, sem trazer para dentro as mudanças necessárias para o crescimento. A forma profunda é viver o ensinamento, ser parte ativa dessa família, estar presente e exposto. Cada um tem seu tempo de conquista, e eu estou no meu. Houve uma mudança na minha experiência, e agora é dar continuidade a ela. Hoje estou em processo de deixar de lado essa emoção e esse impulso. Tenho muito que evoluir, mas já não carrego o mesmo peso.

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